a. Roupas
É bom lembrarmos das palavras de Cristo... “Ao que tirar a tua capa, deixa-o levar também a túnica”, na época de Cristo o casaco (ou túnica) e a capa parecem ter sido duas peças essências do vestuário. No Israel dos dias de Cristo uma relíquia da antiga tanga sobreviveu: era o saq, traduzido algumas vezes como “saco” o que provocou confusão. Feito de linho, era a roupa de baixo do povo comum, provavelmente aquela conservada por Jesus quando lavou os pés dos discípulos, como um servo. Nos dias de luto e arrependimento, os homens e mulheres usavam peças feitas de um tecido grosseiro, um verdadeiro pano de saco. Os mais zelosos colocavam-no junto à pele como uma espécie de camiseta. O uso da túnica vinha também de longe. A fim de convencer-se disto basta lembrar da “capa de Noé”, Gn. 9, e “túnica de José”, no capítulo
b. As vestes femininas
Eram muito parecidas com as vestes masculinas. Todavia, as diferenças devem ter sido suficientemente notáveis, visto que ao homem era proibido vestir roupas femininas, e vice-versa (Dt. 22:5). A diferença deve ter sido em material mais fino, mais colorido, e o uso de um véu e uma espécie de chalé para a cabeça.
c. Comida
No velho Testamento, visto que a dieta da típica família hebréia era principalmente vegetariana, não é de surpreender que no novo testamento referências alimentos girem em torno quase exclusivamente de tais elementos.
Alimentos vegetais – A idéia básica do indivíduo na bíblia, é o pão, que é fabricado ou de farinha de trigo (Mt. 13:33) ou de cevada (Jo. 6:9,13). Esta última era a farinha usualmente empregada empregadas pelas classes no fabricar de seu pão; e quanto ao valor relativo do trigo e da cevada, (Ap. 6:6), o novo testamento testifica do método primitivo de usar trigo arrancando as espigas frescas (Lv. 23:14) e removendo a palha esfregando-as nas mãos (Mt.2:1, Mc. 2:23, Lc. 6:1). Quando isso era feito no campo outrem, era considerado pelos rabinos como equivalente à sega e, portanto, era prática proibida aos sábados. Deve-se fazer menção especial de bolos ou pastéis sem fermento, o único tipo de pastelaria permitida nas casas judias durante os dias da festa da páscoa (I Co. 5:7).
Frutas e azeite – Dos pomares vinham as uvas (Mt. 7:16), por tanto, o “fruto da videira” (M.t 26:29), e também as azeitonas, embora estas últimas artigo alimentar. A azeitona, entretanto, provia um utilíssimo azeite que era empregado na preparação de alimentos, enquanto que a própria azeitona era preservada por um processo de salmoura. Os romanos tinham quatro refeições por dia e a dieta do indivíduo médio consistia de pão, mingau de aveia, sopa de lentilhas, leite de cabra, queijo, verduras, frutas, azeitonas, toicinho defumado, lingüiça, peixe e vinho.
Os judeus costumavam ter somente duas refeições normais, uma ao meio dia e outra à noite. Sua dieta consistia principalmente de frutas e legumes, sendo que a carne a assada ou cozida era reservada para os dias de festa. Uvas passas, figos, mel e tâmaras supriam os adoçantes, já que o açúcar ainda era desconhecido. Era costume que nas refeições formais as pessoas comessem reclinadas em divãs acolchoados (os mais ricos) e nas informais assentados. Costumava-se também usar um tipo de mesa em forma de U.
d. Moradias
As casas de moradias da porção ocidental do império romano eram construídas de tijolos e de concreto, pelo menos nas cidades maiores. Os bairros mais pobres e as cidades rurais contavam com casas de madeiras ou cabanas. Na porção oriental do império, as casas normalmente de estuco ou de tijolos de barro cozidos ao sol. Poucas janelas se abriam para a rua, portanto, nas cidades havia uma falta de policiamento adequado que impedisse os assaltantes de vaguearem pelas ruas à noite e de penetrarem nas casas através das janelas.
e. A família
Mesmo num mudo como este, a unidade social básica era a família. Alguns fatores, entretanto, tendiam a decompor a família, como exemplo a predominância numérica de escravos e o treinamento de crianças por parte dos escravos e não dos pais. Os filhos eram educados por escravos e tinham poucos filhos. A família grego-romana típica contava com baixa taxa de nascimentos, e, a fim de encorajar famílias mais numerosas, o governo oferecia concessões especiais ao país de dois ou mais filhos.
A família judaica já era bem mais numerosa. A outorga de um nome a uma filha podia esperar pelo espaço de quase um mês, enquanto que o nome de um filho era dado quando de sua circuncisão, ao oitavo dia de nascido. Já que as famílias judaicas não tinham sobrenome, quando duas pessoas tinham o mesmo era comum diferencia-las:
a. Mediante a menção do nome do pai, Simão “filho de Zebedeu” ou “Simão Bar Jonas” (Bar = filho de).
b. Mediante sua filiação política, Simão o Zelote”.
c. Pela sua profissão, “Simão o Curtidor”.
d. Ou mediante o lugar residência, “Judas Iscariotes” onde “Iscariotes” significa “homem nascido em Quiriote”.
f. Moralidade
Nas exortações das epístolas do novo testamento, os pecados sexuais usualmente encabeçam as listas de condenações. Toda moralidade conceitual de imoralidade era atribuída às divindades pagãs, gregas, romanas. Principalmente as “virgens do templo” dos templos eram parte integral dos cultos pagãos, assim como os “belos rapazes”, ambos, homens e mulheres eram reconhecidos como “sacerdotes” dos deuses. Porém, nada mais eram prostitutas e prostitutos cultuais, os quais ofereciam seus corpos individualmente ou nas chamadas orgias com toda sorte de perversão, era considerado culto aos deuses, dentre eles se destacando o culto a Afrodite e Apolo. Infelizmente esta imoralidade não se restringia somente ao meio cultual.
g. As classes sociais
Na sociedade pagã as camadas sociais eram vigorosamente delineadas. Os aristocráticos proprietários de terras, os contratores do governo e outros indivíduos viviam de luxo. Não existia uma classe média forte, porquanto os escravos é que perfazia a maior parte do trabalho manual. Tornando-se, mais tarde, dependente do sustento dado pelo governo, a classe média de tempos prévios se transforma em uma turba sem lar e sem alimentos nas cidades. Uma estratificação menor prevalecia na sociedade judaica por causa da influência da religião. Grosso modo, no entanto, os principais sacerdotes e os rabinos liderantes formavam a classe mais alta. Fazendeiros artesãos e pequenos negociantes formavam a maior parte da população.
Entre judeus, os “cobradores de impostos”, judeus que aceitavam empregos para cobrar os impostos romanos sobre o seu próprio povo tornaram-se objetos de uma especial aversão, sendo desprezados pelos seus conterrâneos.
No império romano, os escravos eram quase com absoluta certeza mais numerosos que os cidadãos livres. Era comum condenar, criminosos, prisioneiros de guerra e endividas à escravidão. Muitas das declarações e estória de Jesus dão a entender que também entre os judeus existia algum tipo de escravidão.
Originalmente, os escravos que tivessem se tornado criminoso eram os únicos que podiam ser condenados à crucificação. Mais tarde, todavia, libertos que tivessem cometido crimes hediondo também passaram a receber a odiosa penalidade. Durante o cerco de Jerusalém, em 70 d.c., Tito crucificou nada menos que quinhentos judeus
